sábado, 4 de fevereiro de 2012

Na era dos ésse-ême-ésses.

Janeiro passou sem que eu escrevesse poema algum, uma carta que fosse, ou apenas míseros bilhetes. Sem que eu contasse histórias de grandes aventuras, já que não as tenho vivido - ao menos quando se trata dessas aventuras previamente embaladas para o apreciar da sociedade. Passou sem que ao menos eu lhe contasse como tem sido viver nesses dias um tanto desanuviados, cheios de idéias, mas de um fazer extremamente escasso.

Não consigo explicar porque só agora escrevo, nem porque escrevo nessa forma mais corrida que talvez me inspire e transpire algo mais coeso e plenamente conteudístico. Entendeu? Ora pois, Saturno anda mais em oposição do que deveria. Enfim, talvez eu tenha só perdido a prática em lhe falar. Ou talvez seja isso só hoje, o que caberia melhor para que eu acabasse essas linhas feliz.

Só queria dizer que ando bem. Que não tenho feito muitos planos, porque planejar geralmente é algo terrível na minha vida, mas tenho exagerado nos sonhos. Exagerar parece ruim, mas não é não, é só falta de palavra melhor no momento.

sábado, 31 de dezembro de 2011

meu ano é novo sim.

Aceitar que todos os anos são sempre iguais?
Que começam cheios de promessas e planos,
Que começam coloridos e insanos
E acabam sem muito a acrescentar?
Não, isso eu jamais faria.

Até meu fatalismo me mostra isso.
Porque as coisas são não como de fato acontecem,
Mas como nos acontecem.
E por mais que se repitam vez ou outra,
Repetem-se para intrigar, de modo peculiar, surpreendente.

Surpreender não é sempre bom, mas é.
E por mais que alguns-muitos dias não sejam bons,
Eles sempre são, sempre estão lá,
Sempre nos lembrando da vida
E de tantas coisas lindas que só existem porque existimos nós.

Se me perguntar, já sabe o que responderei
Sobre como foi esse ano-passandinho-já.
Quanto ao meu-ano-novo,
Do qual só eu sei por hora,
Devo dizer que tem um quê de tudo.

Tem dança e tem cor.
Tem verde e tem esperança.
Se tem você?
Ora, talvez tenha mesmo.
E talvez dure até o fim.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Soneto?

Parecia que não, mas sempre soube que ela estava cansada de tudo aquilo.
Porque o tão esperado esperar já havia se transformado em espera dia desses
E isso não era nada bom.
Bom para quem? - Ela se perguntava.

Seu coração está com pressa.
Sua cabeça vaga por aí e se deixa esquecer embaixo de um chapéu.
Insanidade, talvez.
Mas a loucura com certeza está longe de tudo o que sente.

Ou de tudo o que acha que sente.
Ou daquilo que reluta em admitir.
Ou do que quer e não quer.

Será mesmo que o som daqueles passos têm compassado sua vida?
Será mesmo que aquele nome tem morado em sua boca?
Ela nunca se permitiu pensar em ser de alguém.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

pot pourri

sozinha e ninguém,
não há mais o que falar.
pois se me sinto incompetente, preguiçosa e dissimulada
pois se ando ansiosa e flutuante
pois se sou essa confusão mesmo,
tudo isso misturado numa caixa de memórias
não poderia esperar outro desfecho.

cruel? irônico? trágico?
inssosso e gritante!
ou apenas inssosso, que seja.
e eu, culpando a lua e a grama,
percebendo-não-percebo que é aqui
onde as desculpas não têm vez.

porque é sempre assim.
porque triste foi você estar do meu lado,
e eu sabendo-não-saber.
mas, triste mesmo é eu só poder ouvir o som dos seus passos
e nem ao menos conhecer sua voz.

dissimulá-la,
dissimulada que sou.
imaginá-la,
mas eis me aqui.

nas linhas e em tudo que vai entre elas.
no vão das mãos,
e nas marcas que esses pés meus deixaram há um tempo.

onde?
all the lonely people, where do they all come from

?

domingo, 16 de outubro de 2011

e você do meu lado

não queria que acabasse.
queria que tivesse começado.
oh, impossibilidade articulatória!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Uma carta perdida de Rosa

Você.
Sim, você mesmo
Foi quem me deu o que escrever hoje,
talvez ontem e antes,
talvez amanhã também.

Você que nem sequer apareceu,
mas me dá ainda mais motivos para
sorrir, chorar
dançar, dançar, dançar
sorrir, rir
sonhar
esperar pelo que há de vir.

Se existe, sei que de mim não sabe.
Se existe, sei muito menos de você.
Mas, ainda assim, espero
e sabe disso.
Espero quando tudo fica laranja.
Quando tudo fica escuro. E estrelado.
Quando meus pés roçam grama orvalhada
e meus lábios, dentes-de-leão.

Espero na fita, na fila,
Fantasiada de estou-bem-obrigada.
É razão de tudo.
Explicação de tudo.
Do vagar,
Do rumar
Devagar.

Digavar quando já é tarde,
mas, mesmo assim, tão cedo
para ir embora.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

um bom desaniversário?

Seu e meu. Meu e seu.
Ou só seu, se preferir.

Porque eu simplesmente não sei
se já falei disso com você…
Da impotência que sinto em ajudar,
em tornar as coisas mais leves.
Na maioria das vezes.
Da impotência que já escrevi em algum lugar.

Mas, saber do que sei me deixa
profundamente
triste.
Faz com que todos esperem meu aniversário
mais do que eu mesma.
Talvez por me sentir como uma
mãe que adotou e adotei.
Talvez por ser tudo isso
e tanta coisa
todos os dias
para mim.

Se quiser
venha
fale
chore.
Se quiser vir falar
até soluçarmos em uníssono.

Até eu conseguir te levar para um mundo
que é seu
que é meu
que é seu
e só seu.
Um mundo particular de cada amizade.
Um mundo particular de nós
e de tudo que tenho compartilhado
só com você.