domingo, 8 de abril de 2012

Enquanto isso, no saguão de um correio qualquer:

Não importava se se demorara a dormir noite passada.
Acordou bem, embora tenha sido obrigada a lavar o rosto,
Sabe?
Passar as bochechas,
Aliviar aquele ar-sonhante que não vem sendo bem aceito pelas ruas.

Ela cheirava a sonho, devo dizer.
Precisava mais do que perfume para ter cheiro-de-rotina.
Talvez café...
Antes de sair pelos fundos, passou pela cozinha carregando seus sapatos
E quase derrubou uma xícara que fumegava cotidiano.

E se lembrou que não era semana,
Ótimo dia para telegramar, não?
Deixou os sapatos e os livros junto da soleira
E de meias correu até a esquina,
Até o correio.

Parou à porta desse
Pensando no telegrama.
Mas lhe acometeu que o destino era inexistente;
Digo, incerto;
Digo, desconhecido.

Desistiu. Lia-se no chão por ela pisado:
"Apareça logo.
Do contrário, meus poemas serão sempre os mesmos."
O destino era.
O destinatário não.


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