Se as palavras me saíssem mais concisas
Escreveria uma crônica
Mas
Embora eu descreva minha viagem de tão perto
Embora eu fale que peguei ônibus que ensurdeciam,
escadas que não acabavam, filas que não acabavam
Embora eu fale que tropecei nas calçadas,
que fui expulsa do chão,
que sorri para crianças no vagão,
que quis chorar recostada nas janelas
Isso não será uma crônica.
Mesmo que minhas palavras já tenham se tornado
- todas elas -
crônicas.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Trocando cartas com ninguém (no. 1)
Espero que ande bem, pisando direitinho no chão. Chão esse que embasa, que aterra, que rui, que abriga, que movimenta, que soa.
Que a vida lhe venha sendo leve, bonita, cantante. Que os dias tenham claridade, e chuva também. Que tenham folhas que estalam, chaleiras que piam, passos que fazem lembrar os que se foram. Que as noites não sejam frias, pelo contrário. Precisam é de ter luzes, carinho, abraços e promessas do que está por vir.
Fica bem, de qualquer jeito. Sei que não espera isso, essas palavras. Sei que nem ao menos me espera. Mas, comigo é diferente.
Que a vida lhe venha sendo leve, bonita, cantante. Que os dias tenham claridade, e chuva também. Que tenham folhas que estalam, chaleiras que piam, passos que fazem lembrar os que se foram. Que as noites não sejam frias, pelo contrário. Precisam é de ter luzes, carinho, abraços e promessas do que está por vir.
Fica bem, de qualquer jeito. Sei que não espera isso, essas palavras. Sei que nem ao menos me espera. Mas, comigo é diferente.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
"Morre Lentamente" - Pablo Neruda
Quem morre?
Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca
Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco
e os pingos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco
e os pingos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.
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quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Um sorriso de besouro
não se deve falar de amor todo dia.
não quando a vida mostra sua inconstância.
quando as pessoas mostram sua impermanência.
quando um coração periga ficar preso num porta-retrato.
apenas em fotos restam as lembranças.
não quando a vida mostra sua inconstância.
quando as pessoas mostram sua impermanência.
quando um coração periga ficar preso num porta-retrato.
apenas em fotos restam as lembranças.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Plágio Ozístico Criativo
Saudade e Mágica:
Lindas palavras do meu não tão vasto vocabulário.
Mais do que palavras, seres que permeiam meus escritos.
Meus vividos. Seus vividos.
Que a descrevem tão bem nesse momento, Louca-de-alface!
(que é única nessa vida, artística ou não)
Mágico foi suas xícaras em forma de papel virem tão rápido.
De balão, jura-juradinho?
Mágico foi chegarem num dia em que eram necessárias-sem-saber.
E foi também por isso que saudosas se mostraram.
De abraços, de panquecas, de chás com ervilhas com salgado-de-leite.
De cartas que escritas ficam por aí a lembrar do que já foi.
E se não escritas,
Permanecem em meio à minha confusão miolística.
Permanecem sem querer porque sabem que têm destino certo.
Não um papel, mas um Monte de nome engraçado
Que tem guardado seus sonhos presentes que me são tão futurísticos.
Mas, o tempo é relativo, como poderia dizer o tal do mágico de Oz.
Sei que nossos pés ainda vão demorar para se encontrar
Na grama, sobre toalha xadrez, dançando com formigas.
Formigas de pine-panque-quique.
Até lá, porém, basta que faça estalar seus calcanhares.
Porque casa é onde as pessoas queridas estão.
E há muitos lugares assim, sim?
Lindas palavras do meu não tão vasto vocabulário.
Mais do que palavras, seres que permeiam meus escritos.
Meus vividos. Seus vividos.
Que a descrevem tão bem nesse momento, Louca-de-alface!
(que é única nessa vida, artística ou não)
Mágico foi suas xícaras em forma de papel virem tão rápido.
De balão, jura-juradinho?
Mágico foi chegarem num dia em que eram necessárias-sem-saber.
E foi também por isso que saudosas se mostraram.
De abraços, de panquecas, de chás com ervilhas com salgado-de-leite.
De cartas que escritas ficam por aí a lembrar do que já foi.
E se não escritas,
Permanecem em meio à minha confusão miolística.
Permanecem sem querer porque sabem que têm destino certo.
Não um papel, mas um Monte de nome engraçado
Que tem guardado seus sonhos presentes que me são tão futurísticos.
Mas, o tempo é relativo, como poderia dizer o tal do mágico de Oz.
Sei que nossos pés ainda vão demorar para se encontrar
Na grama, sobre toalha xadrez, dançando com formigas.
Formigas de pine-panque-quique.
Até lá, porém, basta que faça estalar seus calcanhares.
Porque casa é onde as pessoas queridas estão.
E há muitos lugares assim, sim?
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domingo, 20 de maio de 2012
Vitória e o Acaso
Sinto que te devia isso, não?
Por tudo que passou e passamos,
E passamos, de qualquer jeito.
Por tudo o que tem acontecido
De bom.
Aquilo que conseguiu,
O que deixou pra trás,
Os que deixou.
Valeu a pena, não?
E não só a pena,
Que fique claro.
Ainda te devo uma caneta.
E um abraço bem dado, como esquecer?
Pois somos feitas de abraços, não?
E fui me dar conta disso hoje,
Embora não só hoje.
De que amigos são para aqueles
Quem você sempre quer-estar-falando a verdade
Sobre o futuro.
Ainda que nem você
- especialmente você -
(que nesse caso sou eu)
não saiba como os dias correrão.
Por tudo que passou e passamos,
E passamos, de qualquer jeito.
Por tudo o que tem acontecido
De bom.
Aquilo que conseguiu,
O que deixou pra trás,
Os que deixou.
Valeu a pena, não?
E não só a pena,
Que fique claro.
Ainda te devo uma caneta.
E um abraço bem dado, como esquecer?
Pois somos feitas de abraços, não?
E fui me dar conta disso hoje,
Embora não só hoje.
De que amigos são para aqueles
Quem você sempre quer-estar-falando a verdade
Sobre o futuro.
Ainda que nem você
- especialmente você -
(que nesse caso sou eu)
não saiba como os dias correrão.
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