João era fabulista?
fabuloso?
fábula?
Sertão místico disparando
no exílio da linguagem comum?
Projetava na gravatinha
a quinta face das coisas
inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?
Tinha pastos, buritis plantados
no apartamento?
no peito?
Vegetal êle era ou passarinho
sob a robusta ossatura com pinta
de boi risonho?
Era um teatro
e todos os artistas
no mesmo papel,
cirando multívoca?
João era tudo?
tudo escondido, florindo
como flor é flor, mesmo não semeada
Mapa com acidentes
deslizando para fora, falando?
Guardava rios no bôlso
cada qual em sua côr de água
sem misturar, sem conflitar?
E de cada gôta redigia
nome, curva, fim,
e no destinado geral.
Seu fado era saber
para contar sem desnudar
o que não deve ser desnudado
e por isso se veste de véus de novo?
Mágico sem apetrechos,
civilmente mágico, apelador
de precípites prodígios acudindo
o chamado geral?
Embaixador do reino
que há por trás dos reinos,
dos podêres, das
supostas fórmulas
do abracadabra, sésamo?
Reino cercado
não de muros, chaves, códigos,
mas o reino-reino?
Por que João sorria
se lhe perguntavam
que mistério é êsse?
E propondo desenhos figurava
menos a resposta que
outra questão ao perguntante?
Tinha parte com...
(sei lá o nome)
ou êle mesmo era
a parte de gente
servindo de ponte
entre o sub e o sôbre
que se arcabuzeiam
de antes do princípio,
que se entrelaçam
para melhor guerra,
para maior festa?
Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
deve pegar.
21.11.1967 - por Carlos Drummond de Andrade, publicado no 'Correio da Manhã' 3 dias depois da morte de João Guimarães Rosa. Dois amados.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
TCC - Teoria Circunstancial do Caos
CHAOS.
Muito mais bonito do que simplesmente 'caos'.
Tanto me ocorreu entre ontem e hoje.
Mas, nada que eu tenha de fato vivido.
Isso continua assim...
Bom que nada atrapalha. Isso aqui.
Ainda que muita coisa já faça isso.
E és assim, um aglomerado de coisas.
Caótico. Nada simples mesmo.
Um ronronar de películas.
Um desenhar de sons desconhecidos.
Um emprestar de paixões. Mas, só daquelas platônicas.
Por enquanto.
Pois, se tiveste a sorte, yo no la tuve.
Sorry, dude.
The end.
Muito mais bonito do que simplesmente 'caos'.
Tanto me ocorreu entre ontem e hoje.
Mas, nada que eu tenha de fato vivido.
Isso continua assim...
Bom que nada atrapalha. Isso aqui.
Ainda que muita coisa já faça isso.
E és assim, um aglomerado de coisas.
Caótico. Nada simples mesmo.
Um ronronar de películas.
Um desenhar de sons desconhecidos.
Um emprestar de paixões. Mas, só daquelas platônicas.
Por enquanto.
Pois, se tiveste a sorte, yo no la tuve.
Sorry, dude.
The end.
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domingo, 9 de janeiro de 2011
Constatação barata. Irreversível.
- Nós tínhamos uma vida, não?
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
O que devia ter sido feito. E não foi.
Eu só preciso esquecer de certas coisas,
talvez desistir delas.
Porque eu quero ficar mais perto das pessoas.
Mas, isso,
Só depois de arrumar meu armário.
talvez desistir delas.
Porque eu quero ficar mais perto das pessoas.
Mas, isso,
Só depois de arrumar meu armário.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Primeira tentativa em 3, 2, 1...
Não sei se escrevo por você
Porque, talvez, seria mais correto escrever para você.
Seria?
Muitas perguntas. Míseras respostas.
Você sabe que o tempo passou
Inevitavelmente, como sempre passa.
Todos sabemos.
Mas, também sabemos que há sempre algo que não passa.
Que não muda.
Aquele ponto, lembra-se?
O mais distante do sol.
E mesmo que muitos heterônimos me tomem a casa,
As penas,
Os cadernos, suas capas, todas suas folhas,
Todos meus papéis,
Sabe que haverá sempre algo de mim aqui. Imutável.
Essa é toda verdade que posso oferecer.
E meus abraços sinceros.
Pois não consigo mais controlar as palavras.
Às vezes, elas vêm num turbilhão, isso é tudo o que aprendi.
Porque, talvez, seria mais correto escrever para você.
Seria?
Muitas perguntas. Míseras respostas.
Você sabe que o tempo passou
Inevitavelmente, como sempre passa.
Todos sabemos.
Mas, também sabemos que há sempre algo que não passa.
Que não muda.
Aquele ponto, lembra-se?
O mais distante do sol.
E mesmo que muitos heterônimos me tomem a casa,
As penas,
Os cadernos, suas capas, todas suas folhas,
Todos meus papéis,
Sabe que haverá sempre algo de mim aqui. Imutável.
Essa é toda verdade que posso oferecer.
E meus abraços sinceros.
Pois não consigo mais controlar as palavras.
Às vezes, elas vêm num turbilhão, isso é tudo o que aprendi.
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Adoniran Barbosa. As vozes da cidade.
Eis aí o título de um suposto projeto de pesquisa - suposto porque é, na verdade, um trabalho de conclusão de uma de minhas matérias (Sociolingüística, se para alguém interessar saber).
O fato é que, neste ano, caso Adoniran estivesse vivo, completaria 100 anos - a idade que eu com certeza ainda quero ter, mas isso não vem ao caso. E por isso escolhemos fazer um trabalho sobre ele, sobre a linguagem de suas músicas e o que isso representa e que recursos ele utilizava para falar tanto do que havia vivido mas no contexto da arte.
Enfim, tudo isso pra falar o quanto gosto de suas músicas, ainda que não conheça tantas quanto deveria.
E que eu queria que elas fossem mais ouvidas, mas isso não me compete em nenhum âmbito.
"Se o senhor não tá lembrado, dá licença de contar"… Prometo um texto que lhe seja mais suficiente, digo, mais suficiente para dizer tudo o que deveríamos saber sobre essa pessoa que me parece sempre tão fofinha quando vejo cantar. E falar.
Aliás, isso me deu uma idéia muito bacana, uma idéia que me pareceu muito bacana: que tal escrever coisas para pessoas que gosto e admiro e não me conhecem nem nunca conhecerão?
Quem sabe!
O fato é que, neste ano, caso Adoniran estivesse vivo, completaria 100 anos - a idade que eu com certeza ainda quero ter, mas isso não vem ao caso. E por isso escolhemos fazer um trabalho sobre ele, sobre a linguagem de suas músicas e o que isso representa e que recursos ele utilizava para falar tanto do que havia vivido mas no contexto da arte.
Enfim, tudo isso pra falar o quanto gosto de suas músicas, ainda que não conheça tantas quanto deveria.
E que eu queria que elas fossem mais ouvidas, mas isso não me compete em nenhum âmbito.
"Se o senhor não tá lembrado, dá licença de contar"… Prometo um texto que lhe seja mais suficiente, digo, mais suficiente para dizer tudo o que deveríamos saber sobre essa pessoa que me parece sempre tão fofinha quando vejo cantar. E falar.
Aliás, isso me deu uma idéia muito bacana, uma idéia que me pareceu muito bacana: que tal escrever coisas para pessoas que gosto e admiro e não me conhecem nem nunca conhecerão?
Quem sabe!
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