terça-feira, 22 de março de 2011

lóquere!

Fui assim acordada na noite passada.
E os lençóis, mal-passados,
Traduziam o correr de meus últimos dias.

Não sei de onde vinha a voz.
Se existia?
Ou se era o simples excesso
De verbos depoentes latinos.
Mas, me convenci de que deveria falar.
Ego loquor. Eis daí que nascem os eloquentes.

Se as saudades eram infundadas
Se os quereres eram ainda mais
Que importava?
Verdadeiros são os sentimentos espontâneos.
Mas, uma vez que falta espontaneidade no mundo,
Verdade não poderia esperar encontrar.

Mesmo assim encontro.
Assim como a flor de Drummond que nasce do asfalto,
Pouco me importa se serei ouvida e receberei resposta.
Apenas me comprometo com minha fala
A mostrar aquilo que é
E que vive geralmente escondido
Em meus sonhos.
Em meus lençóis mal-passados.

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